Sem Terra à Vista

Sem Terra à Vista
April 21, 2026 João Louro

SEM TERRA À VISTA

18.04.26 > 24.01.2027

Centro de Arte Oliva, São João da Madeira

Curadoria de Paula Cabaleiro

 

Artistas Alexandre Baptista, Ana Jotta, Ana Vieira*, André Cepeda, André Romão, Anish Kapoor*, Augusto Alves da Silva, Bernardí Roig, Carlos Correia, Carlos Noronha Feio, Carla Filipe, Carmen Calvo, Charles Juhasz-Alvarado, Chéri Samba, Christian Boltanski, Cindy Sherman*, Cristina Iglesias, Daniel Barroca, Daniel Blaufunks, David LaChapelle, Edgar Martins, Edson Chagas, Eduardo Batarda, Eva Lootz, Fernando Calhau, Fernão Cruz, Filipe Volker Marques, Glenda León, Gonçalo Mabunda*, Gonçalo Pena*, Helena Almeida, Horst P. Horst, Hubertus Hierl, Inês Osório, Isabel Cordovil, Jiri Georg Dokoupil, João do Vale, João Louro, João Maria Gusmão + Pedro Paiva, João Pedro Vale + Nuno Alexandre Ferreira, João Tabarra, Joel Sternfeld, Jorge Molder, Jose Nicolas, José Pedro Croft, Julião Sarmento, KCHO (Alexis Leyva Machado), Leon Golub, Luís Paulo Costa, Maria José Oliveira, Marie-Paule Nègre, Marta Maria Perez Bravo, Mattia Denise, Mauro Cerqueira, Mel Bochner, Miguel Januário MaisMenos, Mónica de Miranda, Musa Paradisíaca, Paul Blanca, Paula Rego*, Pedro Cabrita Reis, Pierre Houles, RIGO23*, RITA GT, Robin Hammond, Rui Chafes, Rui Toscano, Sara Bichão, Shi Lifeng, Stefanie Schneider, Susana Mendes Silva, Susanne S.D. Themlitz, Svetlana Melik-Nubarova, Vanessa Beecroft, Victor Elschansky, Yonamine

 

Reflexões sobre este mundo de incertezas contemporâneas, a partir de uma nova revisão da Coleção Norlinda e José Lima

My little boat,
Take care,
There is no
Land in sight.
— Charles Simic

Sem terra à vista. Navegar perante a barbárie, sem um mapa que desenhe uma promessa, é antecipar a deriva rumo ao naufrágio. Perscrutamos o horizonte na procura de uma luz-farol que atravesse as névoas. São tempos de escuridão e desassossego. De desespero. Onde fica o norte, o nosso norte? Como é importante ter referências para intuir o caminho. Se é que resta algum caminho.

Esta exposição tem como título o nome do último poemário do escritor sérvio-americano Charles Simic (No Land in Sight: Poems, 2022), numa tentativa de reflexão sobre as incertezas contemporâneas que hoje nos afligem, a partir duma nova revisão da Coleção de Arte Moderna e Contemporânea Norlinda e José Lima. É uma mostra que possibilita novas relações e diálogos entre obras e artistas de diferentes gerações, origens, culturas, disciplinas e abordagens técnicas, aproveitando a grande heterogeneidade e riqueza do acervo, com o objetivo de suscitar indagações e pensamento crítico no público visitante.

Tornar o espaço do museu um lugar de encontro e reflexão, sem evitar o conflito: essa é a premissa. O percurso expositivo atravessa conceitos como a nossa fragilidade perante o desespero e a incerteza contemporâneas; a guerra e o conflito; a polarização política, a desinformação e o esquecimento histórico; a vulnerabilidade das nossas democracias; a migração e os novos discursos de ódio perante o outro; o egoísmo, a cultura da imagem e a superficialidade na nossa sociedade; as alterações climáticas e o negacionismo; as desigualdades sociais; a desumanização das relações interpessoais; as violências machistas e a objetificação do corpo das mulheres; identidades dissidentes; a vulneração dos direitos humanos; a homofobia; o consumismo capitalista; e a devastação do planeta através da exploração selvagem dos seus recursos, entre outros.

Como poderão observar, Sem terra à vista não tenciona remeter literalmente para uma viagem certamente agónica em que não se vislumbra um horizonte, antes traduzindo simbolicamente uma profunda sensação de desespero e a crise existencial da humanidade e do sistema de valores que impera na nossa contemporaneidade. Esta exposição é, portanto, um espaço de reflexão coletiva, de fomento do pensamento crítico, apelando aos valores morais e éticos, à solidariedade e ao feminismo, num regresso necessário à humanidade e às pessoas, na procura de alguma luz, de algum possível caminho: de alguma terra à vista.