Linguistic Ground Zero [solo show]

Linguistic Ground Zero [solo show]
November 6, 2018 João Louro

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Linguistic Ground Zero [solo show]

06.11.18 > 22.04.19

Project Room, MAAT, Lisbon

Curated by David G. Torres

Linguistic Ground Zero, João Louro’s new project created for Project Room, reflects on this historic moment of inflection in which art and society seem to coincide in relation to the necessity to put an end to everything – the two World Wars and the artistic vanguards.

His proposal, a reproduction of ‘Little Boy’ – the first atomic bomb in history – with recorded messages, is simple and forceful: destruction, graffiti, poetic and written references come together, providing one of those moments in which art and artists carry out an exercise of complex thinking.

 

O século XX fica para sempre dividido pelas duas guerras mundiais. Desde a batalha de Verdun, em 1916, a mais longa e sangrenta da Primeira Guerra Mundial, até ao lançamento da bomba atómica sobre a cidade de Hiroxima, em agosto de 1945, a morte, a destruição e a eventualidade do fim da Humanidade parecem possíveis e mesmo inevitáveis. Paralelamente, as vanguardas artísticas, com uma linguagem partilhada – por exemplo, a aceção original da palavra «vanguarda» (do francês, avant-garde) pertence ao léxico militar –, também propõem uma tábua rasa: acabar com a linguagem era a vontade dos dadaístas.

Linguistic Ground Zero, o novo projeto de João Louro, pensado para o Project Room do MAAT, reflete sobre esse momento de inflexão histórico no qual arte e sociedade parecem estar de acordo com a necessidade de acabar com tudo. A sua proposta consiste numa reprodução de «Little Boy» – a primeira bomba atómica da História, que arrasou a cidade japonesa de Hiroxima em 6 de agosto de 1945. Como acontece com a maioria das bombas, nas quais os soldados escrevem mensagens, esta reprodução também transporta consigo inscrições – neste caso, os textos fazem referência à arte, à política, à cultura e às vanguardas.

João Louro estabelece uma confluência entre a destruição física provocada pela bomba atómica e a destruição simbólica que faz parte de diferentes estratégias da arte durante as vanguardas: um fascínio partilhado pela destruição, mas também um desejo de renovação, de partir do grau zero ao qual o título alude.

Como parte do projeto de investigação de Linguistic Ground Zero, a exposição inclui também desenhos e documentos.

David G. Torres

*Fotografias de Bruno Lopes. Cortesia da Fundação EDP. Vista da exposição João Louro. Linguistic Ground Zero (MAAT, Project Room, 2018).