CARAMULO – MUSEU IMAGINÁRIO

CARAMULO – MUSEU IMAGINÁRIO
February 3, 2017 João Louro
João Louro
2017
in Black box Museu Imaginário

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BLACK BOX – MUSEU IMAGINÁRIO é o número 0 de um ciclo de 6 exposições a ter lugar no Museu do Caramulo nos próximos 6 anos. Cada uma delas será dirigida por um artista, cabendo-me a mim a abertura do ciclo.


O formato, não sendo inédito, é aqui recuperado com o objectivo de exponenciar as ressonâncias da arte contemporânea, através da comunicação directa com o acervo do Museu, em si variadíssimo, em género e em estilo.
A este registo de tempo, nas suas várias camadas sobrepostas, acresce a vontade, da actual administração, de continuar o trabalho iniciado, enquadrando-o numa política cultural estruturada e em consonância com a intenção original dos seus fundadores. Manter público o acervo, criar dinâmicas que possibilitem novas leituras, quer das obras existentes, quer das novas obras que se irão expor, trazer públicos diversificados e valorizar, assim, o Museu.


A intenção que subjaz neste primeiro episódio, e que servirá de mote para os que se seguem, é a de abrir espaço de pensamento, num discurso de acção/reacção, gerado pela inclusão de obras de artistas contemporâneos nas diversas salas do Museu. Haverá portanto dois momentos de interesse:  o da obra propriamente dita, com todo o seu leque de sentidos e ainda, o do confronto desta com a envolvente, ampliando, nesse ricochete, o seu potencial de significação.
 
Black Box será a definição genérica do ciclo de exposições e, ao contrário da ideia de “white cube”, aponta para a noção de local repleto, que não se preenche a partir do nada, sendo em si mesmo conteúdo.
O nome escolhido alude também à noção de  “caixa negra”, o equipamento usado nos aviões comerciais como instrumento de registo. Um instrumento com o qual se poderá estabelecer um paralelismo, uma vez que a caixa negra reúne toda a informação, mantendo-a em segurança, mesmo nas condições mais adversas.
É essa também a função de um museu. Um equipamento de memória que contém o Tempo, cumprindo uma função essencial para a manutenção da vida. Não há futuro sem memória nem cultura.
 
Nesta primeira exposição decidi, como matriz do projecto, reunir alguns artistas que gostaria de ver confrontados na presença do acervo do Museu. Explorar essa reverberação entre as obras do acervo e as obras de artistas convidados, colocadas no espaço. Segundo este princípio, pareceu-me mais importante seguir a pista de um conflito entre a razão e a paixão do que a assertividade lógica da curadoria. Prefiro o laboratório, na tentativa e erro, à certeza de um resultado. Por isso, estas escolhas são sobretudo “afinidades electivas”, e respondem mais pela experiência da confrontação, do que pela certeza curatorial. Aliás, não sendo a Arte uma ciência, muito menos exacta, esse eco entre obras, clássicas e contemporâneas, numa alteração da leitura expectável, deve provocar o espectador e acrescentar sentido ao próprio Museu.
 
É, pois, esse mosaico de interacções que me interessa. Não são as obras individualmente com o seu poder de significação intrínseco, mas a narrativa produzida pelo contacto com o acervo do Museu.
Abre-se uma janela de estranheza e amplifica-se assim o sentido, quer das obras que aí existem, quer das obras dos artistas convidados e, por fim, do próprio Museu.
A lógica é conscientemente incompleta e experimental, com consequências imprevistas.
 
Artistas convidados: José Pedro Croft, Julião Sarmento, Fernanda Fragateiro, Miguel Ângelo Rocha, Rui Chafes e João Queiroz.
 
 

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